Na quinta estação do percurso, o comboio parou. Giorgios entrou, cumprimentou, sorridente, os passageiros, distribuiu rebuçados, fez conversa de circunstância, desejou continuação de um bom dia, dirigiu-se ao seu lugar e começou a ajeitar peças metálicas com um martelo e um torno mecânico.
Indignados com o barulho, os passageiros chamaram o revisor, que, tendo concordado que a situação era inaceitável, levou toda a gente para outra carruagem, para que Giorgios pudesse trabalhar sossegado.
Na paragem seguinte, os passageiros repararam no comboio que estava parado na linha ao lado, no qual viajava apenas uma mulher a tocar violino. Alguns dos passageiros imaginaram quão agradável seria viajar ao som de um violino, ignorando que, até ali, paragem a paragem, a violinista expulsara todos os que se haviam queixado da sua falta de afinação.
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