Diante daquela pintura, Simone, engenheira civil, pensou em como a vida podia ser cruel, havendo, no entanto, lugar para alguma esperança. Diante da mesma pintura, Gerard, crítico de arte, pensou em como era desanimador o facto de estar, havia três dias, a tentar marcar a entrega de um frigorífico.
Não muito longe dos dois, Marten, autor do quadro em questão, falava com um amigo ao telefone, tentando convencê-lo a visitar a exposição que tinha em curso no Museu de Arte Moderna. Como argumentos, propunha dezenas de quadros para contemplar; acesso exclusivo a alguns, por tempo limitado; e assistência sempre disponível, caso algum dos quadros fosse de difícil interpretação. Tudo isto por um preço competitivo e sem período de fidelização.
Terminado o telefonema, o pintor juntou-se a Simone e Gerard, concordou que aquele quadro era interessante, embora não tanto como os que tinha em exposição, e lembrou-lhes que estavam em sua casa para transportar um sofá e uma cómoda.
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