Kārlis, Primeiro-Ministro daquele país, iniciou a reunião com Lydia, ministra das Obras Públicas do seu governo:
— Finalmente temos tempo para falar. Tenho a agenda quase livre. Quase: à tarde, tenho uma reunião com um duende que mora aqui nos jardins do palácio. Parece que ele tem um problema com a licença de habitabilidade.
— Muito bem. Vamos lá aproveitar este tempo.
— Sim. Primeiro ponto: quem venceu o campeonato masculino sénior de futebol em 1994? Hipótese A…
— Kārlis, eu não preparei esse tema. Eu vinha falar da rede viária. Se é para este tipo de questões, é melhor falarmos mais tarde.
— Sim, sim, já vamos à rede viária. Mas, antes disso: onde te vês daqui a dez anos?
— Daqui a dez anos? Não sei. Mas isso é importante? O nosso mandato é de quatro anos.
— E onde te vês daqui a quatro anos?
— Olha, se, entretanto, falarmos, por exemplo, sobre a rede viária, vejo-me a acabar este mandato com resultados para apresentar.
— Muito bem, muito bem. E que valor podes acrescentar à nossa organização?
— Posso definir o nosso plano de investimento em obras públicas. Por exemplo…
— Já sei, já sei, a rede viária. Já lá vamos. Antes disso: eu estou a seguir um novo plano alimentar e não me estou a dar com os iogurtes proteicos. Fico muito afrontado. Devo falar com a nutricionista ou dar mais uma oportunidade aos iogurtes?
— Eu falava com a nutricionista. Estarmos confortáveis com o plano é meio-caminho andado para conseguirmos cumpri-lo.
— Pois, foi o que eu pensei.
Um dos assessores do Primeiro-Ministro entrou subitamente no gabinete onde decorria a reunião.
— Peço desculpa, Sr. Primeiro-Ministro, mas temos uma crise política.
— Uma crise?
— Sim, a líder da oposição acaba de o acusar de não saber dançar bachata.
— E agora?
— Tem de me acompanhar ao gabinete de crise. Já estão a caminho uma professora de dança e uma dançarina. O Sr. Primeiro-Ministro terá de estar pronto para dançar três temas de bachata em todos os noticiários das oito.
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