Ao quarto dia de viagem, Egill enviou uma mensagem à sua amiga Neshani:
“Olá! Não esperes uma grande dissertação, não quero ser como as pessoas que dizem que viajam para conhecerem culturas. De corridas a monumentos, fotografias que toda a gente já tirou, excessos calóricos e conversas com habitantes locais aleatórios, alguns deles, burros, nunca resultou uma tese de doutoramento.
Ainda assim, posso dizer que estou a gostar de cá estar. Ao pé do meu hotel, há um pequeno parque, muito bonito, com uma vasta área verde, diversos trilhos, bancos de jardim, mesas de piquenique e uma equipa em permanência a desentupir uma conduta de saneamento.
O monumento mais conhecido daqui é uma torre do séc. XVII, que mantém a traça original e que, como é de esperar, nunca tem turistas, porque toda a gente já a viu, nem que seja na net.
Se há cidades onde há problemas com ratos ou com mosquitos, aqui não há nada disso. Ontem até apareceram do nada uns monstros, parecidos com insectos, que invadiram as papelarias e roubaram os jornais todos, mas disseram-me que é raro acontecer.
E, com isto, já me estou a alongar. Tu sabes que eu detesto viajar, só estou aqui porque o meu primo Ragnar me pediu que viesse com ele comprar uma baliza de hóquei-em-patins.”
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