No final do ano, Hendrik, director de departamento numa empresa metalúrgica, enviou um relatório à administração:
“Terminado mais um ano de grande sucesso, o nosso departamento enumera, como é habitual, as suas conquistas:
– Pessoas: apostámos em políticas de inclusão, como, por exemplo, a que conduziu a equipa num processo de consciencialização de que os repetidos comportamentos manipuladores de um colega não se devem às suas más intenções, antes ao facto de ele ser um bocado psicopata;
– Inovação: ao longo do ano que agora termina, mantivemos o foco na incorporação de tecnologia mais avançada, foco esse apenas superado pelo desejo inabalável de não incorporar essa tecnologia e de manter o nosso método tal como está; colocámos, no entanto, um rádio FM na copa;
– Processos: tendo como objectivo deixar de ter pessoas perdidas em processos intermináveis, para passar a ter pessoas entretidas em processos intermináveis, criámos uma equipa especial de intervenção que, em cada fase dos processos, dá dicas de culinária e de bricolagem, e ensina fundamentos de pilates;
– Logística: reduzimos em 86% os ataques do monstro do armazém; a criatura passou a estragar material apenas à terça-feira.
Por todas estas melhorias, consideramos o ano que agora termina como bem-sucedido, mesmo tendo em conta que o nosso departamento falhou todas as metas orçamentais e de desempenho.”
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